Instalações Físicas e Elétricas para Labotatórios

Não são poucos os problemas em equipamentos de análises clínicas causados por inadequações técnicas em geral nos laboratórios e demais setores onde os mesmos operam .

Neste artigo tentarei orientar os interessados de forma que possam compreender alguns detalhes fundamentais para o bom funcionamento de seus sistemas . Para tanto , dividirei o artigo em duas seções : Instalações Físicas e Instalações Elétricas.

Instalações Físicas
Esta é uma questão que pode ser de difícil solução em caso de inadequações , pois envolve espaço, itens pesados, obras e etc.

É imprescindível que o espaço físico e as bancadas comportem os sistemas laboratoriais . Por mais óbvia que possa parecer esta recomendação , basta que se visite alguns locais para verificarmos e entendermos.

Há uma enorme quantidade de setores cujo espaço físico e/ou as bancadas encontram-se inadequadas aos sistemas que lá operam e isto ocasiona mais problemas do que se pode imaginar.

Espaços reduzidos são o principal motivo de quebra de peças fixas ou móveis ocasionadas por esbarrões, queda de objetos sobre os aparelhos, derramamento de líquidos e etc.

Os pequenos espaços fazem com que os operadores acabem utilizando os equipamentos como suporte para acessórios , mesa auxiliar , porta-copos , etc , facilitando a ocorrência de acidentes , além de dificultar os serviços de assistência técnica e assessoria científica.

Estes mesmos motivos podem ocasionar problemas menos perceptíveis e de difícil diagnóstico como descalibrações de braços mecânicos , desalinhamentos mecânicos e óticos de sistemas , queima de lâmpadas (já que as lâmpadas acesas são muito sensíveis à choques), oscilação de leituras e etc. Se alguém esbarra em um sistema de bioquímica no momento em que ele está fazendo uma leitura, a vibração excessiva fará com que o líquido cuja leitura está sendo executada vibre também , alterando seu resultado.

Ainda podem ocorrer, embora em menor escala de probabilidade, interferências entre equipamentos devido à proximidade excessiva. Por exemplo: ao se instalar equipamentos de gasometria em um CTI, deve-se evitar a proximidade com equipamentos de RX.

Com relação às bancadas, infelizmente é muito comum verificarmos o improviso. Mesas de escritório, pias, macas e outros objetos que se "pareçam" com uma bancada são indevidamente utilizadas em alguns locais.

Este improviso é visto em maior escala em CTIs e Centros Cirúrgicos onde se instalam equipamentos de "point-of-care" e gasometrias. Normalmente na construção do local não é prevista a instalação de equipamentos de análises clínicas, logo, procura-se "um cantinho" para os equipamentos.

Nos laboratórios também encontram-se problemas com bancadas.

Centrífugas, agitadores e outros equipamentos que causem vibrações excessivas não devem ser instalados nas mesmas bancadas que equipamentos sensíveis.

É claro que estamos falando de vibrações excessivas. Assim sendo não há mal algum em se instalar um homogeinizador hematológico ao lado de um analisador hematológico, entretanto nunca sobre o mesmo.

A temperatura ambiente é extremamente importante tanto para o bom funcionamento dos equipamentos como para os materiais de consumo com os quais estes trabalham.

Os limites de temperatura ambiente para cada sistema constam em seus manuais de operação, havendo pequenas variações entre marcas e modelos. No entanto, de uma forma geral, temperaturas acima de 25º C não são recomendáveis e acima de 30º praticamente proibidas.

A temperatura ambiente pode variar durante as 24 horas do dia de forma drástica e afetar o funcionamento dos sistemas. Por isto, é importante que se acompanhe estas variações.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, um sistema de refrigeração deve ser cuidadosamente projetado, pois engloba muitos detalhes como: quantidade de janelas e portas, sistemas de iluminação utilizados, grau de circulação de pessoal, abertura de portas, tipo de proteção das janelas com relação à luz solar, etc.

Uma boa prática é contratar uma empresa especializada para fazer o projeto de instalação ou correção dos sistemas de refrigeração, pois além de se garantir a estabilidade da temperatura ambiente, também assegura um consumo correto de energia elétrica.

Ainda nos próprios sistemas de refrigeração, existe outro importantíssimo fator : a vedação contra poeira.

Os filtros devem ser limpos periodicamente, sendo que se forem limpos em períodos menores do que o indicado pelos fabricantes, melhor.

A vedação de janelas e portas, obviamente são fundamentais para garantir um baixo nível de poeira no local.

Estes ambientes não devem ser simplesmente varridos, e sim, limpos com panos úmidos para evitar a transferência da poeira de um local para outro.

A luz solar direta sobre os equipamentos e reativos é proibida. Logo, deve-se ter especial cuidado com este fator. Vale utilizar de todos os recursos possíveis para evitá-la. É bom lembrar que a proteção externa das janelas com toldos, por exemplo, constitui-se num fator à menos de aquecimento da temperatura ambiente. Assim sendo, significa alguns BTUs à menos no sistema de refrigeração.

Instalações Elétricas
A adequação das instalações elétricas é tão ou mais importante do que as instalações físicas.

Problemas na instalação elétrica de um laboratório podem levar a graves danos aos equipamentos e, conseqüentemente, grandes prejuízos.

Esta questão tem dois pontos para serem comentados: a qualidade da energia elétrica que nos é fornecida e a qualidade de nossas instalações elétricas.

A qualidade da energia elétrica que nos é fornecida não é boa. Talvez devido, principalmente, aos sistemas de distribuição de energia nos centros urbanos, que são ainda problemáticos e de difícil manutenção, a energia que chega aos imóveis muitas vezes traz problemas dos mais diversos tipos. Neste caso não há muito o que fazer, mas vale exigir da empresa responsável pela distribuição as devidas soluções para os problemas ou ressarcimentos em casos de danos comprovadamente ocasionados por problemas na rede elétrica externa.

No entanto, as instalações elétricas internas são da inteira responsabilidade do proprietário ou locatário do imóvel, e não da empresa distribuidora de energia.

Se o local ainda será construído, basta um bom projeto e uma boa execução do mesmo, com material de qualidade, etc, para assegurar uma instalação elétrica confiável, estável. No entanto, na maioria dos casos a instalação já existe e encontra-se com problemas.

Estes problemas tornam-se mais sérios quando o cliente recusa-se a acreditar que existam problemas nas instalações elétricas ou que sejam importantes ao serem alertados pela assistência técnica de alguma marca de equipamento de análises clínicas instalada no local.

É muito comum o cliente responder que dos vários equipamentos que possui, o único que apresenta problemas é aquele cujo técnico afirma ser devido à rede elétrica.

O que precisa ser entendido é que cada aparelho tem suas características e, por isto, cada um pode ser afetado ou não por problemas não só de rede como até pelos problemas citados na primeira parte deste artigo, logo, um equipamento não serve como parâmetro para outro, ainda que do mesmo fabricante e modelo no que se refere à interferências elétricas.

Deve-se contratar pessoal realmente qualificado tendo preferencialmente um eletrotécnico ou engenheiro eletricista como responsável técnico pelo projeto e para acompanhar a execução do serviço.

Os equipamentos de análises clínicas por seu custo e utilização devem ser o mais resguardados possível. Assim sendo, mesmo com toda adequação das instalações elétricas, deve-se complementar a proteção dos mesmos utilizando estabilizadores de tensão, no-breaks e etc.

Cláudio Rodrigues Leite - Depto. Técnico
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